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Patricia Giglio

Membro da Rede

Últimos textos deste autor

A origem do universo, os nossos opostos e nossa luz e sombra

Esta semana publico aqui um texto da nossa querida Mariana Pires!

 

Esses dias, lendo o livro “Qual é a sua obra?”, de Mario Cortella,  encantei em especial com um capítulo em que ele aborda, de maneira simples, a origem do universo. Ele fala sobre as suposições da Física a respeito do movimento de expansão que o universo realiza há mais ou menos 15 bilhões de anos, desde o “nascimento” do universo, após a grande explosão big-bang.

Vou reproduzir um trecho do capítulo na íntegra:

“...há bilhões de anos, é como se pegasse uma mola e fosse apertando, apertando, apertando até o limite, e se amarrasse com uma cordinha. Imagine o que tem ali de matéria concentrada e energia retida! Supostamente, nesse período, todo nosso universo estava num único ponto adensado, como uma mola apertada e, então, alguém, alguma força – Deus, não sei, aqui a discussão é de outra natureza – cortou a cordinha. E aí, essa mola, o nosso universo, está em expansão até hoje. E haverá um momento em que ele chegará ao máximo da elasticidade e irá encolher outra vez. A ciência já calculou que o encolhimento acontecerá em 12 bilhões de anos. Fique tranquilo, até lá você já estará aposentado pelas novas regras (rs!).

Você pode cogitar algo que a Física tem como teoria: ele vai encolher e se expandir outra vez. Talvez haja uma lei do universo em que o movimento da vida é expansão e encolhimento. Como é nosso pulmão, como bate o nosso coração, com sístole e diástole. Como é o movimento do nosso sexo, que expande e encolhe, seja o masculino seja o feminino. Parece que existe uma lógica nisso, que os orientais, especialmente os chineses e indianos, capturaram em suas religiões, aquela coisa do inspirar e expirar.”

Bem, e por ai vai, ele aborda outras questões sobre a nossa pequenez diante desse universo infinito. E eu continuei lendo o texto mas não consegui parar de pensar nessa “teoria” maravilhosa. Em quantos momentos me percebo assim? Em muitos! Me expandindo, me recolhendo, me expondo, me preservando, me mostrando, me escondendo. E é tão confortável saber que isso é um processo natural. Você deixa de “lutar” com esses opostos que fazem parte de todos nós.

E falando em universo, ele as vezes providencia algumas “sincronias”, não é!? Na mesma semana li também o capítulo Incluir, do livro Raízes do Eupreendedorismo, da Rede Ubuntu. Bingo! Uma chuva de insights, pois o livro aborda, entre outros assuntos, a teoria dos opostos e nos convida a transitar entre os nossos polos, nossos opostos. Junto com isso, para mim uma descoberta valiosa: o incluir também vale (e deve valer) quando estamos nos relacionando com nosso lado sombrio. Eis a proposta: Acolha (inclua) a sua sombra. Abrace-a. Veja o que de bom ela agregou em sua vida! É um convite ao aprendizado de olhar de outra maneira para nossos sentimentos, digamos, “indesejados”.  

Bem, estou meditando sobre isso e desejo permanecer com essa consciência e esse sentimento de acolhimento de meus sentimentos eternamente. Mesmo que de vez em quando eu me esqueça, pois isso tende a acontecer no dia a dia, espero sempre relembrar.

E que diferença faz, saber que é preciso transitar entre nossa luz e nossa sombra, e que sempre, ambos os lados, irão lhe fazer ganhar algo e perder também. É um movimento sem fim, como o universo que habitamos e como nosso universo interior...

O importante mesmo é aprender a viver em aconchego, com sua luz, com sua sombra, nessa dança de expansão e recolhimento que parece ser inerente a nossa condição humana.

 

Patricia Giglio

Membro da Rede

Sobre a vida e caixas de bombons

 

"Mamãe sempre dizia que a vida é como uma caixa de bombons, você nunca sabe o que vai encontrar" repetia Forrest Gump.

Mas cada vez  que a vida me traz a sutileza de uma boa surpresa vindo de onde menos espero esta frase pipoca na minha cabeça. Sexta-feira, último dia de trabalho, corro para tentar encontrar minha mãe para o cinema , ainda sem almoçar e por 10 minutos perco o filme. Vou pelo menos almoçar com calma, sozinha. Todas as mesas cheias, meu estomago já gritando e um simpático senhor oferece uma cadeira a sua mesa. Agradeço sorridente a gentileza e neste mesmo momento vagam várias mesas.

Vou ou não vou? Será que vou incomodar? Será que vou ter que conversar ao invés de fazer a retrospectiva 2014, que era meu plano inicial? Sim, não, sim, não...

Isto em 3 segundos e lembrei da última vez que fiz isto: Com muita pressa precisava comer minha salada e tudo lotado e apenas uma mesa com um menino de uns 8 anos sozinho. Pedi para sentar com ele  só para comer e ele foi timidamente simpático. Imaginando que crianças as vezes não gostam de fala com estranhos fui cuidadosa ao não puxar conversa apenas mostrar abertura. Em 5 minutos já estávamos trocando dicas de skii e conheci uma das crianças mais adoráveis e querida  e no final ainda me disse: obrigada por ter almoçado comigo, eu estava me sentindo muito sozinho e gostei muito de conversar com você. Fala sério????? Quer coisa mais encantadora? Tipo de coisa que me faz andar em nuvens!

Voltei ao presente com esta lembrança e adivinha o que fiz?

Só que desta vez meu "table-mate" estava para o outro lado do 8, mais para 80. E não é que a vida mais uma vez me trouxe uma surpresa? Que pessoa mais agradável! Que conversa mais gostosa. E como um estranho vai virando próximo.  Tivemos a mesma profissão, seus filhos foram meus conterrâneos na faculdade e ainda tínhamos um amigo muito querido em comum! E hoje ele trabalha no 3o setor com inclusão. Obrigada papai do céu!

Tantas coisas em comum numa pessoa tão diferente. E vamos combinar que uma pessoa que percebe que a outra esta procurando um lugar e oferece o que tem disponível, já é um bom indício, não é? Estas coisa me encantam. Precisava divid

Como a abertura possibilita coisas tão boas e inesperadas. Como em cada uma destas pessoas que cruzamos sem conectar, existe tantas possibilidades de troca. Sendo bem direta: naquele momento, naquele ambiente, não havia ninguém mais diferente de mim que aquele senhor. Em tudo: idade, tipo físico, roupa. E bem ele que era a melhor companhia possível para este meu almoço.
Sim troquei a minha retrospectiva 2014 por este almoço e a resumo aqui nas coisas que quero para 2015: abertura e presença para poder usufruir o que a vida oferece e muitas vezes estou muito ocupada e fechada para perceber. Para a abundância que a vida tem e que as vezes não consigo perceber porque não vem da forma que EU planejei.

Que este sentimento de gratidão que eu estou sentindo permeie meu ano. E que eu seja capaz de lembrar que a vida é farta e se falta é porque não estou procurando no lugar certo ou não estou aberta. Porque hoje, aqui e agora eu estou conseguindo perceber e sentir este outro lado da moeda. Que vê no dia de chuva, que perdi a hora do filme, chego no restaurante lotado e a vida me dá uma caixa de bombom. Bombons que devem estar sempre espalhados por ai, onde a gente menos espera, prontos para nos encantar se dermos a chance.

Querido Sérgio, obrigada pela companhia do almoço! E mais do que isto obrigada a me reconectar com este sentimento e me ajudar na clareza do que quero para meu novo ano. Mais encontros assim.

Como na caixa de bombom do Forrest Gump, sem saber o que vamos encontrar...
Compartilhar alegria, conectar  pessoas, gerar entendimentos ,  deixar a vida me surpreender e perceber sua abundância . Minhas resoluções estão aqui!

PS : E aqui começo a campanha: ofereça um lugar na sua mesa! Quem sabe você pode ter a sorte que eu tive ;-)

 

 

Patricia Giglio

Membro da Rede

Sobre Confiança e Ratos Mortos.

Começo este texto sem saber exatamente como ele irá desenrolar e acabar. Escrevo-o porque preciso juntar muitas informações e amadurecer meu conceito de confiança. Há tempos venho trabalhando isto em mim e hoje, aos 46 do segundo tempo, descubro que tenho muito que aprender ainda sobre o verdadeiro sentido da palavra confiança.

No meu pedido a Iemanjá esta ano elegi o trinômio: clareza, confiança e coragem. Com ele, poderia mover montanhas, mudar a minha vida; que era o objetivo do ano.
Meu ano não foi exatamente como eu planeje e isto me fez rever um pouco e ampliar o conceito que tinha de confiança, entre outras coisas.

Confiança, para mim, sempre andou de mão dadas com a fé, mesmo que fé na vida. Um saber que terá luz, enquanto ainda esta escuro; saber que dará certo enquanto ainda está errado. Mas uma certeza de que se eu fizer "a minha parte" a vida responde... Só que nem sempre os "timming" batem, as respostas são imediatas.

Nesta fase de aprofundamento, descobri que confiar mesmo é entender que o errado pode ser o certo, neste momento.

E devo isto a Clarice Lispector que num conto lindíssimo me trouxe esta clareza. Sem a menor pretensão de reproduzir , tento trazer  o que ela passa no texto  "Perdoando Deus" :  está ela andando num dia lindo, comungando com Deus e o Universo quando encontra um rato morto, símbolo maior do desgosto e sente como uma "traição". Depois entende a "pequinez" de seu sentimento e julgamento de Deus, como se ELA soubesse o que é nobre ou não a DEUS fazer... Como se uma rato morto no seu momento de comunhão com o Universo fosse razão para um rompimento. Como colocar um rato morto quando ela estava em tanta harmonia com o mundo?!?

O rato traz a tona sua vulnerabilidade, sensação de injustiça, desejo de vingança, a brutalidade do mundo. Que Deus é este que coloca um rato morto no seu caminho???? Mas que mundo é este que ela comungava onde não existem ratos mortos?

Hoje entendo que confiar é entender que um rato morto no seu caminho, não diz que o mundo não é belo nem harmônico, não é uma agressão , é apenas um rato morto no caminho, algo que faz parte.

Pode parecer pouco importante mas eu vinha perdendo minha fé, cada vez que estava fazendo minha parte e encontrava  o tal "rato morto". Como se fosse injusto, errado. Faltou confiar. Faltou entender que tem fases de muita construção e pouco retorno, bem como o inverso. Hoje começo a saber que confiar, é parar de dizer ao mundo o que tem que fazer e apenas dizer a mim mesma e torcer para não encontrar os tais ratos mortos no caminho, mas se eles lá estiverem, entender que eles também pertencem ao caminho.

No entendimento dela sobre o horrendo rato ruivo morto no seu caminho, ela entendeu verdadeiramente o que era Deus. E acho que esta mudança de ângulo do olhar nestes momentos é aprender a confiar. Não julgar que ele, o rato, não poderia estar lá mas sim como lidar melhor num mundo onde isto É parte. Sem julgar que é errado.

Acho que fui mal acostumada. A vida me mimou demais e sofri um bocado quando ela parou de seguir meus planos. E hoje agradeço a cada um deste viéses. A cada NÃO que a vida me impos, a cada rato morto que cruzei no meu caminho porque a confiança que tenho na vida hoje me diz, que foram grandes presentes. Que eles, me fizeram gente.

Sigo humildemente tentando me fazer merecer os dons que pedi: clareza, confiança e coragem. Mas para poder tê-los, acho que preciso estar preparada. Porque confiar é saber que eles virão, quando tiverem que vir e não quando eu mandar. Porque confiar é fazer sua parte, é " ser a mudança que você quer ver no mundo " mesmo que ainda não veja a consequência disto. É plantar a semente sem data para germinar, sabendo que pode ser que não brote mas que plantar é minha melhor chance.

Fica meu desejo a todos vocês, que para este ano vocês tenham: clareza, confiança e coragem. Porque acredito que com isto, conseguem construir tudo mais que quiserem!

"Perdoando Deus",  Clarice Lispector.
http://www.youtube.com/watch?v=E5CX_PX0gVs

 

Patricia Giglio

Membro da Rede

Reflexão prévias sobre estas eleições

 

Volto a escrever porque acho que este momento pede.  Escrevo na véspera das eleições e quando este texto for postado já teremos um outro cenário....
Passei situações curiosas e queria refletir junto com vocês este momento e nossos valores. Longe de mim querer escrever sobre politica ou julgar aqui certos e errados. E este é justamente o ponto que tem me intrigado. Sou formada pela FGV, sócia do Paulistano ( um clube bastante elitista) mas morei no Nordeste e aprofundei conhecimentos na baixa renda e sim, sou apaixonada pelo povo. Convivi e convivo com cenários diversos o que me ajuda a entender como é o mundo olhando de lentes tão distintas.

O meu mundo atual, meus grupos de FB e whatsapp são Aécio e claro mostram um cenário onde não deixa dúvidas. E junto vem um alto grau de radicalismo, o mesmo que criticam nos outros. Cheguei a ver gente se vangloriando de excluir amigos que não compartilham da mesma escolha achando um absurdo pensar ao contrário... E se a gente não prestar atenção, se deixa levar por esta energia competitiva e radical.

O que me intriga não é o povo que muitas vezes carece de informação e às vezes é quase sem escolha porque não tem repertório e conhecimento para tal. O que me intriga são as pessoas ao meu redor, que independente das sua convicções, se chocam e não respeitam as opiniões contrárias. E eu estava indo para o mesmo caminho...

Ontem num aniversário comecei a conversar com uma pessoa crente que ele também votaria no Aécio. Logo no começo da conversa, talvez já habituado a ser minoria no contexto, ele me disse que era PT. Perguntei se ele poderia me explicar porque, uma vez que tinha dificuldades de entender com os fatos que eu dispunha. E assim por muito tempo tivemos uma ótima conversa, cada um com suas crenças, olhares e repertório mas abrindo para poder olhar com outros olhos um mesmo cenário. Ele não me convenceu e nem o oposto e não era o propósito da conversa. Mas ficou claro para mim que baseado nas crenças, história de vida e contexto atual dele, para ele a Dilma era a melhor opção. Mas não para mim. Uma pessoa bastante politizada e conhecedora dos fatos com crenças diferentes e tudo bem.

Nélson Mandela passou 27 (VINTE E SETE) anos preso e saiu pronto para perdoar e construir uma Africa do Sul baseada nos seus valores:  igualdade, união, justiça, inclusão. E assim o fez. Sem querer vingança pregou e praticou atos e politica  "ornando" com seus valores.

Eu me digo uma pessoa aberta e inclusiva. Valores fortes para mim. Como posso agir de outra forma senão manifestando isto em tudo que faço? Como poderia ficar "indignada" com alguém que tem uma opinião oposta a minha? Onde estaria meu entendimento de que somos diferentes e vivemos numa democracia onde prevalece a vontade da maioria e talvez eu não faça parte da maioria?

Posso até achar triste o cenário onde chegamos... Lamentar a falta de conhecimento e ignorância da grande maioria que vota sem saber porque e lamento. Mas me entristece ver a forma que as pessoas lidam com a divergência. Como podemos querer uma pais melhor se não somos um povo melhor, cidadãos melhores? Se tendemos a responder na mesma moeda mesmo não sendo a moeda que pregamos e acreditamos?

Estou fazendo uma pós graduação em Pedagogia da Cooperação e aprofundando bastante em entender os prós e contras destas formas de operar e aprofundando muito na competição que sim; tem seus pontos fortes e contexto. Mas a competição que tira o melhor de cada um, fazendo com que se supere e não a tentativa de ganhar pela destruição do adversário, gastando tanta energia para destruir e não construir. Esta tensão pré eleitoral quase nos faz esquecer que somos um mesmo pais. Parece uma luta do bem contra o mal, onde cada metade acredita que o bem é quem a outra metade acredita que é o mal.

Ganhando o bem ou o mal, sejam eles quem forem, só gostaria que esta energia competitiva fosse transformada numa energia de construir um pais melhor. Sendo oposição ou não. Para não acharmos que poderemos mudar o nosso pais infestando nossos FaceBooks e whatsApp com opiniões unilaterais alguns dias antes das eleições. Que seja este um processo mais contínuo, maduro, aberto e inclusivo. E se nestas eleições não chegarmos lá, que a gente comece a construir este modo.

Diria até que sou radicalmente contra toda forma de radicalismo ;-) 

Simpatizo com a crença de que a verdade não esta em nós, mas entre nós e por isto acredito que a melhor forma de construir e aprender a ouvir, é abrir. O conversa com este meu novo amigo foi muito rica porque apesar de não mudar minhas crenças e opinião sai mais preparada para aceitar e respeitar as que divergem dela. Valeu muito mais do que ficar repetindo tudo que já era quase uma cartilha.

Se somos contra toda forma de ditadura e a favor da liberdade de expressão que comecemos a praticar isto no nosso dia a dia...  E não apenas quando isto vem de encontro ao nosso interesse.
Quem sabe seja importante  parar de tentar doutrinar as pessoas e aprender a ouvir ou pelo menos respeitar.

Estar aberta para ouvir, de verdade, uma visão diferente da minha; teve um efeito grande em mim. Transformou parte da minha indignação em compreensão e respeito e vi que comecei a engatinhar rumo a abertura e inclusão.

Estou tentando argumentar e ouvir e lutar pelo que acho mais certo para o Brasil, voto convicta. Não feliz e nem iludida de que tenho o caminho que gostaria, mas de que é o que acredito mais.

Mas mais do que tudo estas eleições me mostraram o cuidado que tenho que ter para seguir a inspiração do Mandela e jamais me tornar igual ao que critico. Que toda e qualquer forma de radicalismo fique longe de mim e que cada dia mais aplique no meus dia a dia a abertura e inclusão. Podendo ouvir e aprender com o diferente.

 

Patricia Giglio

Membro da Rede

Sobre abertura e surpresas

Esta acontecendo algo muito especial na minha vida e queria dividir: estou apaixonada pelas pessoas ao meu redor!

Muitas vezes quando me apresento pela Rede Ubuntu digo que caí na Rede. Porque ao passar por ela, senti o que era ornar... E não a Rede em si, que de fato não existe, é uma idéia. Mas os pontos dos quais ela é formado: as pessoas. A Rede tem me trazido pessoas que são verdadeiros presentes na minha vida. E com estas pessoas tenho experimentando um tipo de relacionamento muito especial que quero dividir com vocês.

Ouvimos  por ai que "gentileza gera gentileza"... Assim como "generosidade gera generosidade" e o mais curioso desta corrente é que nestas equações o ganho vem sem haver perda. Ganha quem é gentil/ generoso e quem recebe. E sendo assim, tão claramente uma relação de ganha ganha, por que mesmo todo mundo não opera assim? Qual é o medo ou a crença que nos impede de achar que ao ser generoso seremos bobos?
Tenho que confessar que quando cruzei no meu caminho pessoas que não "ornavam" com este jeito experimentei sensações  ruins. De ser trouxa, de alguém querer levar vantagem etc... Mas ainda assim, depois refleti melhor e vi que...quem perde não sou eu. É quem tem a visão pequena, egoísta e por estes não valeria mudar meu jeito.

Não sou generosa com tudo e todos e nem sempre mas em especial com minha casa e minhas coisas. Sempre acolho os pessoas em casa. Quando morei em Recife recebia e emprestava minha casa para amigos, amigos dos amigos e quem precisasse. Curiosamente  não sentia nenhum apego e sempre confiei. Recebi  amigos queridos e gente que nunca tinha visto mas era amigo de um querido. A principio poderia parecer um "favor" que eu fazia... Mas depois sempre era um favor que "me faziam". Tive trocas, ganhei amigos, aprendi coisas e tenho casa para ficar em qualquer canto que decida ir...

Lembro de um vez ainda jovem que fui p Europa e resolvi ficar na casa de amigos de amigos e minha mãe não entendia e achava "chato". Tentei explicar que não era pela economia porque sempre fiz questão de retribuir a gentileza... Era pela possibilidade de troca, de viver uma vida local e não turista, de confiar que a minha presença seria um prazer e não um estorvo. Nas primeiras vezes foi um exercício de vencer a vergonha... Mas como sempre fui aberta na minha casa, dei o benefício da dúvida que outros também poderiam ser e fui. E foi lindo. Fiz grandes amigos e passei um tempo que sinto que foi reciprocamente ótimo.

Acolhi pessoas muito diferentes e confesso que em alguns casos, no impulso de oferecer e no momento que aceitaram, algumas vezes me deu um pânico! E agora? Como farei com esta pessoa morando em casa???? E se for uma louca? Mas ai lembro de confiar, de acreditar, acalmo, lembro que a vida tem retorno para erros de rota.
Recentemente aconteceu de novo.... Passando por uma fase que queria mais espiritualidade na minha vida, num evento da Rede Ubuntu, cruzo com uma amiga de uma amiga, que nutria uma grande simpatia. Papo vai, papo vem e em menos de 10 minutos de conversa, casou a minha vontade de poder ajudar e a necessidade dela de um canto até a próxima partida para um retiro. Depois de um breve período de sensação de ser louca resolvi confiar na vida e ver no que daria. E simples assim, Carol veio passar um tempo na minha casa. O que sabia dela? Que era do bem. O que sentia dela? Que era uma pessoa na sua busca e que de alguma forma poderia ser um agente  facilitador neste processo e que ela poderia ser boa para mim também. Que sem saber exatamente como e porque, a abertura poderia trazer uma incrível possibilidade de troca.
Carol já passou esta semana aqui e só posso dizer que foi um PRESENTE. E não para de me encantar a idéia de que as vezes podemos agregar valor sem ter custo, que pode ser bom para todo mundo, e que dar/ajudar é um bem que faço para mim mesma e isto também me habilita a saber receber ajuda. Pensar que ao me deixar ser ajudada posso sim também estar agregando ao outro.

E este exercício que começamos a praticar na Rede e na vida tem me deixado muito feliz.
Tenho tido trocas incríveis com a Lu, hoje uma grande amiga que também começou se hospedando aqui e hoje trocamos tudo, de técnicas de coaching, livros, angústias e alegrias. Um anjo que caiu na minha vida! E era só uma pessoa do bem que precisava de um lugar para ficar e hoje é minha grande amiga e taaaanto me agrega e me ensina.
E mesmo quem nunca ficou em casa...
Precisava gritar para o mundo = escrever ; o meu encantamento com a redescoberta do poder da abertura. De como a vida tem para dar, quando temos abertura e coragem de receber.
De lembrar como existe correntes de coisas boas que precisamos lembrar de ativar ... Que a vida pode dar muito mais retorno se a gente consegue abrir, colocar nosso bom sem medo, apostar no que queremos e acreditamos...
Sim estou feliz de conseguir a , de leve, ser " a mudança que eu quero ver no mundo" e experimentar um modelo que pode sim  dar certo. E um agradecimento especial aos meus pais, que me criaram num ambiente de muita generosidade.

Estou feliz de ter ganhado presentes tão incríveis como Carol, Lu etc... e que não me custaram nada além de exercer o que sou, colocar um dom a serviço.
De estar num ambiente onde "orno"e quando estou numa "reunião de trabalho" tenho vontade de passar horas com qualquer um dos membros da rede.  Sentir que tenho tanto a aprender e trocar com estas pessoas.
Estou feliz de ver tanta coisa que eu tenho vontade de ser e aprender ao ter perto de mim tanta gente incrível.  E especialmente feliz por hoje, grande parte deste encantamento poder vir do trabalho.

Abrir, incluir, ornar, colaborar e acreditar. Os princípios que regem a Rede Ubuntu. Os princípios que me regem. Os princípios que regem as pessoas ao meu redor.

Patricia Giglio

Membro da Rede