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Martha

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Como andam teus encontros únicos?

Alguns dias atrás, participei de um Nonworkshop[1] de fotografia chamado Criatividade e o Olhar na Fotografia, conduzido por Eduardo Trauer, pois queria retomar um hobby que estava de lado há algum tempo: sair com uma máquina fotográfica na bolsa e com o olhar atento, fazer registros dos mais diversos.

Lá estava eu, pontualmente, às 8h30min da manhã de um sábado ensolarado, sem ter ideia do que e quem eu encontraria. Sabia apenas que seriam 12 pessoas e como tinha sido indicação de outra pessoa amante por fotografia, estava certa que seria algo bem legal.

Mas posso confessar que foi muito, muito além do legal! O lugar era especial, no alto do Morro da Conceição (Florianópolis) em meio a Mata Atlântica. Rapidamente apresentados e com máquinas ou celulares nas mãos (sim, qualquer tipo de equipamento servia, pois não estávamos ali para falar de técnica e sim de criatividade) , recebemos a missão do Eduardo: fotografar um tema específico (não vou contar para deixar a tua criatividade aparecer), que naquele lugar seria bem fácil de encontrar. E lá fomos nós, olhando para todos os lados e buscando registrar o que achávamos interessante e que representasse o tema.

Ao retornarmos para a sala de aula, compartilhamos como havia sido aquela experiência e o Eduardo começou a conduzir o nonworkshop. Para mim, tudo começou a fazer diferença, principalmente naquele momento, ao ouvir as palavras do Eduardo. Enquanto eu esperava conteúdo relacionado à criatividade na fotografia, o Eduardo começou a falar sobre Ichigo- Ichie: “momento único de encontro” (e expressão ligada à cerimônia do chá no Japão). Naquele momento entendi o que eu estava fazendo ali e porque tinha decidido participar deste evento. Nada é por acaso e todas as coisas estão interligadas nesse grande universo. Como não iria conseguir descrever as palavras do Eduardo, resolvi transcrever pequenos trechos da apostila do nonworkshop e pesquisar um pouco para poder falar sobre Ichigo-Ichie neste texto.

“Ichigo significa o prazo de vida de uma pessoa, desde seu nascimento até a sua morte e Ichie, que literalmente significa ‘um único encontro’, implica que o encontro ocorre apenas uma vez na vida. (...). Naosuke II, uma pessoa ligada ao Chá durante o período Edo, testemunha em seu livro (...): O encontro de Chanoyu é chamado Ichigo-Ichie. Não importa quantas vezes o mesmo anfitrião e seus convidados venham a se encontrar, o encontro de hoje nunca mais será repetido e, portanto, é um único encontro durante toda as suas vidas”.[2]

“Ichi-go, ichi-e traz à consciência a proposição de viver ao máximo cada dia, hora, minuto e segundo. Fazer de cada momento um encontro único para ser vivido bem e intensamente. (...) Ichi-go, ichi-e sugere que essa prática seja observada também no nosso dia a dia: um encontro banal, mesmo com um amigo a quem vemos com frequência, poderia ser encarado como momento especial. É prazeroso tratá-lo com atenção e consideração para que ele possa se despedir de nós com o coração aquecido, sentindo pena de nos deixar. Ir se despedindo e já ir 'sentindo saudade daquele instante' – nagori oshiku. (...)

A jornalista Lori Matsukawa, em matéria publicada no semanário The North American Post, de Seattle, WA, também tem sua versão para ichi-go, ichi-e: não deixar a chance escapar quando o destino bate à nossa porta. Nas coisas mais rotineiras da nossa vida. Por comodismo, falta de iniciativa ou pura preguiça, não raramente, desdenhamos convite para um evento, uma reunião, um desafio. Não seria esse o momento único de um encontro que talvez pudesse suscitar aberturas decisivas e novos horizontes? No mínimo sairíamos enriquecidos da experiência. Liderança de destaque na comunidade de Seattle, o que Lori Matsukawa quis dizer é que deveríamos nos engajar continuamente num ideal, e quando nada estiver acontecendo, compete a cada um de nós fazer acontecer o seu ichi-go, ichi-e. Aqui, agora: transformar nossa vida e nosso entorno, quiçá o mundo.”[3]

“O termo também é bastante utilizado no budô (artes marciais). Costuma ser usado para alertar estudantes que se tornam desleixados ou frequentemente param as técnicas no meio para “tentar de novo”, em vez de prosseguir apesar do erro. Numa situação de vida ou morte, não há possibilidade de “tentar de novo”. Mesmo que as técnicas sejam executadas várias vezes no dojo, cada vez deve ser vista como um evento singular e decisivo.”[4]

A partir da vivência no nonworkshop e da busca por essas leituras, passei a dar mais atenção para os “encontros únicos” da minha vida. O exercício de estar realmente presente em cada momento vivido já fazia parte do meu dia a dia e posso confessar que não é nada fácil. A rotina, os problemas, a correria que, muitas vezes, nos impomos, fazem com que a gente esqueça de viver cada momento e quando percebemos, muitos dias já se passaram. E, com essa filosofia Ichigo-Ichie, quantos encontros nós perdemos, que não voltarão mais, naquele momento, com aquela energia e naquela oportunidade. Tenho certeza que todas as coisas boas que aconteceram na minha vida, eu estava realmente presente naquele momento, como foi quando ingressei na Rede Ubuntu. Quando estamos sintonizados com nós mesmos, conseguimos ver a vida de forma diferente. Com um olhar mais atento, percebemos o que toca nosso coração, com mais detalhe. E na fotografia não é diferente, afinal ela é um registro de um momento específico que está sendo vivido. Quantas fotos de um mesmo lugar podemos ver, sendo que em cada uma delas aparece uma composição diferente, tornando as fotografias diferentes uma das outras? Ao “despertar” o Ichigo-Ichie que mora dentro de nós, o olhar muda, a vibração muda e começamos a “ver” coisas que não víamos, mesmo passando todos os dias pelos mesmos lugares.

Uma das dicas do Eduardo foi, ao sairmos de casa, fazermos caminhos diferentes todos os dias, mesmo que o destino seja o mesmo. Essa mudança de rotina nos deixa mais atentos, até para não errarmos o caminho. Se todos os dias, sairmos de casa no mesmo horário, pelo mesmo caminho, com certeza não estaremos observando o que existe de diferente, pois estamos no “automático”. E será que não é exatamente desta forma que estamos conduzindo nossas vidas: no automático? Será que estamos abertos para ver o que realmente anda acontecendo na nossa volta? Será que estamos conseguindo perceber que os dias estão com uma luz diferente, porque mudou a estação do ano? Estamos percebendo as flores que nasceram nesse caminho que percorremos todos os dias? Pode parecer poético... e deve ser... a vida é uma linda poesia que está a nossa disposição para ser vivida, aproveitada, curtida, com as flores que nascem e as folhas que caem das árvores, com as pontes e pedras do caminho, com o sol e a chuva, com os encontros e desencontros, com os amores e desamores, com a alegria e a tristeza, enfim... a vida como ela é: cheia de emoções para serem sentidas!

E aí? Como anda a tua vida? Como estás construindo a tua história? Como andam teus encontros únicos? Tens parado para conversar, olhar nos olhos de quem encontras pelas andanças da vida? Ou tens andado sempre com pressa e quase reclamando por teres encontrado alguém conhecido no caminho? Ao fazeres uma programação com família e amigos, realmente estás presente? Consegues conversar e escutar, perceber como as pessoas estão ou passas olhando as “novidades” da rede social pelo celular ou, ainda, olhando para a televisão que está ligada?

Que tal parar para pensar um pouco nisso e, a partir de agora, buscar mudar alguns comportamentos que não estão te permitindo viver o Ichigo-Ichie? Bora tentar?

Hoje, ao acordar cedo para terminar de escrever este texto, tive um encontro único com o sol nascendo! A preguiça e o sono que estavam querendo dominar meu corpo acabaram se transformando em energia para enfrentar o dia...

Uma ótima semana a todos... e quem quiser contar como foi buscar viver esta experiência, eu adoraria saber! Bora viver de verdade!

Grande beijo,

Martha

 


[1] Nonworkshop – atividade voltada a troca de conhecimentos e experiências baseada na prática e informalidade, apesar da estrutura pré-formatada. Programado para poucos participantes, desde o início os envolvidos produzem suas fotografias com base em modelos mentais já amadurecidos e vão, no decorrer do desenvolvimento das atividades, aprimorando e “temperando”eus estilos com informações profissionais e criativas (...) Tudo, absolutamente tudo, tendo como base o constante exercício do Bom Senso. (extraído da apostila do nonworkshop).

[2] Texto extraído da apostila e baseado na fonte A Chanoyu Vocabulary – Pratical Terms for the way of tea, Japão, 2007.

 

Falando sobre Emoções Positivas

Após alguns dias de pura folia ou de descanso no carnaval, pode bater aquela imensa preguiça e vontade de não retomar a rotina. Algumas pessoas podem até se sentir com baixo astral mesmo. E foi pensando nisso que resolvi procurar algum estudo que falasse sobre como podemos estimular aquela sensação de bem-estar que alguns até chamam de felicidade.

Encontrei um livro chamado Positivity, baseado no estudo científico da Dra. Barbara Fredrickson, pesquisadora do laboratório de Emoções Positivas e Psicologia da Universidade da Carolina do Norte – EUA, que fala sobre 10 emoções identificadas pelos participantes como as mais poderosas em suas vidas. E afirma que se cultivarmos essas emoções traremos mais positividade e, por consequência, maior bem-estar em nossas vidas.

E que emoções são essas?

ALEGRIA – emoção descrita por Fredrickson como algo que todos nós sentimos em um momento ou outro. Alegria pode ser o tempo gasto com amigos, ocasiões especiais, receber um presente ou uma boa notícia. Alegria vem de momentos especiais, maravilhosos, que aumentam nosso bem-estar e nos sentimos leves e brilhantes.

GRATIDÃO - emoção que sentimos quando reconhecemos algo ou alguém como um presente em nossas vidas, quando realmente valorizamos isso, mas sem “sensação de dívida”.

SERENIDADE – é aquela sensação que surge quando percebemos que tudo está caminhando da forma como gostaríamos e experimentamos aquele estado de paz e tranquilidade, não temos preocupações na mente, conseguimos viver momentos de quietude e calma. A pesquisadora descreve como aquele momento em que deitamos em uma rede à sombra após um dia de árduo e gratificante trabalho no seu jardim.

INTERESSE – é quando nos sentimos engajados, curiosos sobre alguma coisa, sem sentir o tempo passar e com vontade de descobrir mais e mais; ou seja, estamos abertos a novas experiências e queremos explorar um novo mundo que está a nossa volta.

ESPERANÇA – apesar dessa emoção, geralmente, não surgir de situações positivas, Fredrickon a descreve como positiva por ser uma crença e sentimento de que as coisas vão melhorar. É compreender e acreditar que os problemas atuais não são permanentes e acreditar que o futuro é promissor.

ORGULHO – nem sempre visto como positivo, por ser relacionado com arrogância, mas, segundo a pesquisadora, se for “temperado com humildade apropriada”, o orgulho é uma emoção positiva, pois é quando nos sentimos dignos, importantes pelo o que fazemos (e somos), por ser valorizado socialmente. O orgulho pode vir de um senso de propósito e significado em nossas realizações, que gera aumento na confiança permitindo que façamos coisas maiores ainda.

DIVERTIMENTO – a pesquisadora afirma que “diversão é social”, nos ajuda a criar conexões com os outros. Então devemos cultivar momentos de diversão, de bom humor, buscando atividades que nos proporcionam isso.

INSPIRAÇÃO – sensação que temos quando vemos trabalhos artísticos criativos, por exemplo, ou testemunhamos grandes talentos e sentimos uma grande vontade de fazer o mesmo. Um momento de inspiração nos atrai e se destaca como um momento de excelência.

ADMIRAÇÃO/REVERÊNCIA  - Fredrickon explica essa emoção como a que sentimos quando vemos um belo pôr-do-sol, as ondas do mar em movimento ou quando testemunhamos atos de grande bondade ou bravura e nos sentimos pertencentes a algo maior, comparando-se a um sentimento de transcedência.

AMOR - é a compilação de todas as emoções acima; é o que nos une com as outras pessoas.

Barbara Fredrickson sugere que, para cada uma das dez emoções positivas, você pergunte a si mesmo ou escreva em um papel:

                        - Quando foi a última vez que eu senti essa sensação?

                        - Onde eu estava?

                        - O que eu estava fazendo?

                        - O que mais me dá essa sensação?

                        - Posso pensar ainda em mais gatilhos que geram isso?

                        - O que posso fazer agora para cultivar esse sentimento?

E aí? Vamos pelo menos tentar cultivar essas emoções positivas? É uma questão de escolha e de estarmos abertos para que essas emoções invadam nossas vidas! Bora experimentar?

Uma ótima semana! Grande beijo,

Martha

 

Fontes:

http://www.positiveemotions.org

http://wearelightbox.co.uk/page/do-you-know-your-top-10-positive-emotions/

http://blogs.psychcentral.com/positive-psychology/2011/03/the-top-10-positive-emotions/

A Gangorra da Vida - quem comanda a sua?

Vejo a vida como uma gangorra: momentos em que nos sentimos no alto, com aquela sensação gostosa do subir e quase saltar da prancha quando ela chega no seu limite superior; e momentos em que estamos sentados na parte da prancha que está encostada no chão. E, claro, ainda tem as posições intermediárias, naquele dito “equilíbrio”. A partir desta  minha definição, vem a reflexão sobre o que nos leva a ter essas sensações de estar no alto, que geralmente relaciona-se com estar feliz; e estar “para baixo”, triste.

Acredito que por ter passado por momentos difíceis nestes últimos tempos, comecei a pensar muito sobre essa questão de “estar me sentindo feliz e estar me sentindo triste”.

Partindo da premissa que nossas vidas são baseadas em relações com outras pessoas, percebo, muitas vezes, que esses sentimentos estão relacionados com a expectativa que temos no outro. Quantas vezes, ao longo da vida, “cobramos” comportamentos, maneira de ser das pessoas com quem nos relacionamos. Sim, a gente sempre quer ser tratado da forma como tratamos o outro, mas já paramos para pensar se o outro é, ao menos, parecido com a gente? Será que a outra pessoa, naquele momento em que queremos algo, também está em condições de dar algo?

Muitas vezes já me senti triste, angustiada e sozinha por não receber o que eu desejava de alguém (ou alguéns)... e já aconteceu de após ter superado esses momentos, conversar com algum(a) amigo(a) que me disse: eu nem imaginava isso, pensei que querias ficar sozinha e respeitei. E aí surgem outras reflexões: em algum momento eu mostrei como eu estava me sentindo de forma a permitir que a outra pessoa me oferecesse o que eu esperava? Já tive coragem de pedir o que eu estava precisando naquele momento? Estou preparada para pedir e receber um “não”? (quando se trata de sentimentos, geralmente é bem mais difícil aceitarmos o ‘não’, afinal, estamos “precisaaando” tanto, como a outra pessoa pode nos negar algo?)

E mais: existem situações que o outro nem imagina o que estamos desejando, por exemplo, um colo, um carinho, porque ele não percebe a situação que estamos vivendo da mesma forma que a gente... são histórias, experiências que nos levam a ter formas diferentes de ver a vida. Mas como a gente queria que fosse diferente, né? Que as pessoas adivinhassem nossos mais secretos sentimentos e nos acalentassem, permitindo que toda aquela sensação ruim fosse embora.

E tudo isso traz a frustação, a tristeza, o sentimento de solidão e/ou rejeição...

E por que sentimos isso? Porque, muitas vezes, depositamos no outro os nossos sentimentos de alegria e tristeza, o alcance de nossos objetivos de vida, a forma como gostaríamos que a vida fosse – tal como a gangorra funciona – se quem estiver andando na gangorra com a gente não nos impulsionar para cima, a gente não consegue subir sozinho – precisamos do outro neste brinquedo. Mas e na vida? Será que “precisamos” do outro para sermos felizes? Não é permitido estarmos nos sentindo felizes quando alguém próximo não está na mesma situação? Os sentimentos devem se misturar a esse ponto? O poeta Mario Quintana escreveu: “As pessoas não se precisam, elas se completam. Não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vidas”.

É isso: se completar, ser inteiro disposto a dividir... ou seja Ubuntu: eu sou porque nós somos! Dividir objetivos comuns, alegrias e vidas não quer dizer sentir-se exatamente como o outro está se sentindo, fazer exatamente o que o outro está fazendo...  significa estar atento e perceber o quanto uma união de diferentes forças, ações e sentimentos podem transformar uma situação, construir algo melhor.

E voltando para as minhas reflexões sobre como “funcionamos” ao estarmos vivendo um problema, lembro daqueles momentos de vida que estamos tão envolvidos com a situação que nem percebemos que estamos precisando de algo, de ajuda... É como se a situação nos envolvesse de tal forma, que aquele momento de stress, de preocupação excessiva, fica parecendo ser algo “banal”, que está fazendo parte da rotina, que todo mundo passa ou já passou por isso. Ou ainda, estamos dispendendo tanta energia para lidar com aquela situação, que gostaríamos muito que alguém fizesse algo por nós, pois não dá nem para gastar energia com outra coisa, nem mesmo chamar alguém... E é nesses momentos que percebo como é importante ter por perto alguém que realmente nos conhece e que age como um(a) verdadeiro(a) amigo(a), pois essa pessoa rompe a barreira que criamos, sem cobrar, sem reclamar da nossa atitude, mas simplesmente para mostrar que está ali, ao nosso lado, que nos percebe e que quer apoiar, mesmo que seja apenas com sua presença, com seu olhar, com uma ligação telefônica querendo saber como a gente está, com um convite para almoçar e falar banalidades, dar risadas ou mesmo desabafar e cair no choro. E com essas atitudes a gente se dá conta que não está sozinho e que podemos e devemos contar com as pessoas que estão a nossa volta. Que UBUNTU não é só uma palavra, é uma filosofia, que nos leva a agir com um olhar multidirecional, que permite que a gente se veja, veja o outro, veja o outro além do outro e construa juntos uma vida melhor, mais leve, com mais amor e paz.

Aproveito para agradecer o apoio que recebi e tenho recebido de pessoas especiais que fazem parte da minha vida!

E convido você para refletir como anda a gangorra da sua vida? Sua felicidade está dependendo de outra pessoa? Sabe realmente quais são seus objetivos de vida? E o que tem feito por isso: tem corrido atrás ou tem depositado o fracasso no outro? Percebe o momento de vida das pessoas que estão a sua volta? Tem se disponibilizado a ajudar e ser ajudado?

E por fim: você realmente se conhece, consegue identificar como está se sentindo e do que está sentindo falta? Se você não se conhecer, como quer que o outro te conheça?

Bora pensar??? Uma ótima semana!

Grande beijo,

Martha

"Bora" mudar?

O primeiro mês do ano já foi embora. E os dias seguem passando rápido, sem que se perceba... E aí? Aquelas resoluções, planos feitos no final do ano, naqueles momentos de reflexão, quando surgiu a decisão de mudar o estilo de vida para se ter mais qualidade de vida, mais convívio com as pessoas queridas, mudar a atividade profissional e tantas outras coisas, já começaram a fazer parte do seu dia a dia?

Tenho refletido sobre isso, pois é bem comum perceber alguma angústia nas pessoas, porque a mudança ainda não foi colocada em prática. Parece que existe um labirinto e não se consegue achar a saída. E qual será o motivo? Penso que podem ser vários e aqui citarei dois pontos que fazem a diferença no meu processo de mudança.

Ser disciplinada! Nossa, como é difícil! Mesmo que eu tenha certeza do que eu quero mudar, dos motivos que me levaram a essa decisão, percebo que é muito difícil eu conseguir iniciar e, principalmente, manter a nova rotina. Por exemplo, praticar exercícios. Por mais que eu saiba o quanto é importante para a minha saúde e para o meu humor, basta surgir algum obstáculo que já serve de desculpa para eu adiar a atividade. Fiquei bem mais tranquila após ler um artigo do Dr. Dráuzio Varela que explicava que o homem só se dispõe a gastar energia, sem questionar, para se alimentar e reproduzir. Ufa, eu pensei: sou normal! Nesse texto, ele contava que fez um acordo com a própria mente: só pode desistir de correr todas as manhãs após ter vestido o seu "fardamento", pois explicou que é muito fácil achar desculpas quando ainda está deitado em sua cama. Achei bárbaro esse acordo! Mas confesso que ainda estou negociando com a minha mente (risos). Mesmo tendo escolhido uma prática que eu adoro fazer, que toda vez que faço, sinto-me cheia de energia depois, tenho que ficar me policiando para que aquela "vozinha" interna não me convença deixar para outro dia. Então, sem disciplina, sem aquela determinação quase militar, fica bem difícil mudar alguma coisa, pois não é fácil sair da zona de conforto. E isso, no meu caso, serve para qualquer tipo de mudança!

Outro importante fator é saber o que exatamente eu quero fazer diferente. Ou seja, ter um objetivo claro, saber qual é o meu propósito, mas de forma detalhada, que permita que a intenção vire ação. Na maioria das vezes, a gente tem uma ideia, tem um “tema” em que gostaria de atuar. Por exemplo, sempre falei que gostaria de fazer trabalho voluntário. Ok, mas se eu parar para pensar nisso, é apenas um tema, pois ao analisar as inúmeras opções de trabalhos possíveis, eu não tenho como colocar nada em prática antes de especificar um pouco mais essa vontade. Quero ter contato com pessoas? Se a resposta for “sim”, posso continuar com as seguintes perguntas: qual faixa etária? Qual tipo de contato? O que eu gostaria de fazer? Se a resposta for “não”, abre outro leque de perguntas que me levarão à especificação do que eu quero exatamente. Então, vejo que uma das razões que as pessoas não colocam em prática as suas resoluções de “ano novo”, é porque não sabem exatamente o que querem, ficam apenas com o “tema”, pois as ofertas, opções das mais diferentes atividades, que poderão auxiliar nas mudanças, estão aí, na nossa frente, como a infinidade de informações disponíveis na internet, que acabam nos deixando mais indecisos ainda na hora de tomar alguma atitude. Assim, sugiro que cada pessoa busque, de alguma forma, detalhar o seu “tema” de mudança (eu consegui participando do RUA), pois volto a afirmar: a partir do momento que conseguimos definir “o que nos move”, o que nos inspira, o processo de mudança torna-se bem mais leve, mas sempre com a necessidade de sermos disciplinados para atingirmos o que realmente queremos!

“Bora” mudar? “Bora” sair da zona de conforto e ficar repetindo aquela lista de “coisas a fazer” a partir da próxima segunda-feira que nunca chega? "Bora" encontrar uma alternativa, uma saída para as situações que não estão nos agradando? Pense nisso com muito carinho, pois é um presente que você está dando a si mesmo: fazer o que realmente importa para você!

Boa semana e grande beijo,

Martha

Ano que vai, ano que vem...

 

E mais um ano está terminando...

“Nossa, esse ano passou muito rápido” é uma frase que sempre escuto e, muitas vezes, até falo. E com ela vem aquela lista de coisas que conseguimos cumprir e tantas outras que ficaram para trás. Final de ano é época de refletir sobre a vida, sobre o que queremos que seja diferente no ano seguinte, sobre os erros que cometemos e juramos nunca mais repetir no “ano que vem”. E as reflexões, algumas vezes, geram angústias pelas coisas que não fizemos e que deveriam voltar para a lista do ano novo.

Repeti essa atitude durante muitos anos e esse ano resolvi fazer diferente. E fica aqui o convite para você também fazer isso.

Que tal fazer uma lista de tudo o que fizemos? De todos aqueles momentos de felicidade, de prazer, de aprendizado (mesmo que tenha sido a partir de algo triste). Lembrar de todas as pessoas que passaram na nossa vida durante todo esse ano, os momentos com amigos, família, namorad@s/marid@s/amantes, com as crianças, com os mais velhos. Os momentos em que estávamos sozinhos, mesmo que rodeados de muitas pessoas. Momentos de convívio com a natureza, que sentimos a brisa no rosto, o cheiro do mar, que sentimos o sol aquecer o nosso corpo e a chuva a molhá-lo, que interagimos com animais. Momentos em que estivemos presos em engarrafamentos, ônibus/metrô lotado, filas que pareciam não terminar mais. Quantas experiências! Vamos celebrar tudo o que vivemos e tentar lembrar de nossas emoções, de como encaramos cada situação? Essa é uma forma de nos conhecermos um pouco mais, de percebermos nossa calma ou nosso stress, sem estarmos com a energia do momento em que passávamos pela situação.

E a partir disso, sim, ver o que queremos manter, renovar, alterar e excluir. Com leveza e amor no coração, com respeito a nós mesmos, celebrando a vida que temos; sem angústia, sem pressão... lembrar que não estamos sozinhos, que independente do tipo de vida que temos, fazemos parte de uma rede. Sim, o mundo é uma rede, basta querermos nos conectar (e não estou falando de tecnologia, estou falando de relações). Pense nisso, pois muitas coisas que não conseguimos fazer, se pedirmos ajuda, falarmos com um ou outro e formos criando uma rede, tornam-se possíveis, de uma forma mais rápida e fácil (ou, no mínimo, teremos muito mais mentes pensando no mesmo assunto). E esse é um dos meus aprendizados desse ano que compartilho aqui: tudo se torna mais fácil e possível, se entendermos e internalizarmos que não precisamos fazer tudo sozinhos! A “rede”, as pessoas estão aí para que estejamos conectados e nossa vida seja bem melhor e mais fácil! Que no final de cada ano, muitas conquistas a serem celebradas serão resultados conjuntos, frutos de muitas “mentes & mãos” que estavam conectados por um bem comum. Para isso acontecer, precisamos estar abertos e presentes em cada segundo de nossa vida.

Ubuntu: eu sou porque nós somos!

Que 2014 seja o ano das conexões!

Boas festas! Boas reflexões e gostosas celebrações!