Acesse agora
Conecte-se. uma rede social para encontrar e oferecer ajuda.

MariliaBarini

Últimos textos deste autor

Aprender Fazendo e Ser Mãe

O desenho do programa Mãe Ser Mãe foi um processo importante de aprendizado e amadurecimento. Facilitar o programa tem me trazido muitas reflexões sobre o quanto “aprender fazendo” pode acelerar nosso desenvolvimento.

Confesso minha dificuldade para abraçar a facilitação, por medo de me expor, de errar, de não ser boa o bastante, de não saber lidar com alguma situação que possa surgir, mas eis que chegou a tão temida (e ao mesmo tempo desejada!) hora. Depois de muito planejar, demos início ao programa e passamos para a fase de agir, de viver o “ser facilitadora”.

Posso falar da minha experiência em São Paulo: a preparação para este momento foi extensa e valiosa, mas a prática tem sido incrível e surpreendente. As participantes são mulheres maravilhosas, corajosas, determinadas, generosas, lutadoras, sensíveis. Sempre me emociono muito em ouvi-las compartilhar suas histórias, acompanhar suas reflexões, em perceber que a cada semana elas chegam maiores para nosso encontro. Como participante de outros programas, aprendi bastante com cada grupo, acho a troca muito rica e fico realmente feliz de ver a coisa funcionando, as luzinhas se acendendo, as pessoas se iluminando. Achei que este seria meu maior ganho facilitando o Mãe Ser Mãe, mas, apesar de isso me dar uma sensação de realização única, esta semana me dei conta que meu maior ganho está sendo o “aprender fazendo” que eu tanto temia. Imaginava questões que poderiam surgir e gostaria de resolver todas antes de começarmos. Algumas destas questões se concretizaram, mas lidar com elas em pleno vôo não é o fim do mundo, ao contrário de nos paralisar, gera movimentos para resolvê-las. E com melhor sabor!

A necessidade é mais clara e nos ajuda a encarar estas situações e outras que surgirão. De repente, “aprender fazendo”, ao invés de despertar sentimentos de insegurança e fragilidade, está me fortalecendo, me trazendo a segurança para acreditar na minha contribuição, na nossa capacidade de lidar da melhor forma com as questões que surgem, no nosso crescimento como equipe com esta experiência de facilitação compartilhada. Estou aprendendo também sobre o que é importante para mim neste novo papel, sobre o que quero buscar e desenvolver, sobre como algumas respostas dificilmente explicadas podem ser facilmente percebidas.  O significado de “aprender fazendo” se ampliou: não é mais apenas “aprender a fazer aquilo a que me propus”, mas, principalmente, aprender sobre mim.

Refletindo sobre os efeitos de me abrir a aprender fazendo, me dei conta do quanto isso é essencial na nossa vida como mães. A maternidade nos desafia constantemente a “aprender fazendo” e a sair de nossa zona de conforto. Você pode ter sobrinhos, afilhados, trabalhar com crianças, ter feito curso de pais, lido muitos livros, conhecer muitas teorias, mas vai aprender sobre seus filhos e sobre a sua forma de maternar na prática do “Ser Mãe”. Cada bebê, cada criança, tem ritmo, característica e personalidade próprios e vamos aprendendo a lidar com isso, descobrindo nossa maneira de fazer as coisas, descobrindo o que funciona para eles e para a gente. Diariamente aprendemos fazendo, porque as necessidades mudam e aquilo que sabíamos ontem já não é mais suficiente hoje e naturalmente aprendemos e fazemos diferente.

Nossos filhos também são lindos exemplos de aprender fazendo, aprendem a mamar, rolar, sentar, engatinhar, andar, correr, falar, tudo isso experimentando, fazendo. Acompanhar o desenvolvimento dos filhos é uma grande inspiração para aprendermos sobre nós mesmas, podemos perceber o que nos desafia mais, o que é fácil e gostoso de fazer, quais nossas prioridades, nossas incongruências, o que nos motiva. Cada uma tem um ponto de equilíbrio entre a teoria e a prática: algumas são mais atiradas, saem logo fazendo e experimentando e podem sofrer as consequências da falta de conhecimento prévio e teórico. Outras são mais reflexivas ou estão dispostas a correr menos riscos e buscam mais informações antes de partir para a ação, mas também devem estar atentas para não ficar só na teoria, não se prenderem à segurança, porque é entrando em ação que mais aprendemos. Na vida, como na maternidade, não existe fórmula, não existe uma verdade única, cada um encontra o seu equilíbrio.

Com carinho,

Marília

Novos Desafios do Feminismo e das Mulheres

Nos últimos tempos, tenho visto muitos textos que tratam sobre a nova fase do feminismo.

Eles abordam a questão do mito da Mulher Maravilha, o mito da mulher ter que dar conta excelentemente bem de tudo. Destacam que o feminismo já passou por esta fase, que hoje nós, mulheres, já nos empoderamos e não precisamos mais provar que conseguimos fazer tudo ao mesmo tempo com perfeição. Sabemos que conseguimos fazer muitas coisas e que isso é suficiente. E que não precisamos dar conta de tudo. Aliás, aprendemos ,“na raça”, que dar conta de tudo com perfeição é uma ilusão e que se paga um preço caro por perseguir isso.

Fico muito feliz por este ser um tema que, a cada ano, atrai mais e mais interessados e estudiosos.

Fico feliz em ver que a queda do mito da “Mulher Maravilha” tem sido muito divulgada e fico ainda mais feliz por ver que as mulheres têm avançado e que já entenderam que não dá para dar conta de tudo, que ninguém consegue ser “Mulher Maravilha” ou mesmo “Super Homem”.

No entanto o que gostaria de ver sendo mais divulgado por aí, com toda força que merece, é que a impossibilidade de dar conta de tudo implica em fazer escolhas. Escolhas em busca da nossa felicidade. E, principalmente, que fazer escolhas é uma atividade difícil, que implica em abdicar e que é uma atividade que precisa ser exercitada constantemente.

Esse é um ponto nevrálgico da fase do feminismo que estamos vivenciando: pouco se fala sobre escolhas, muito pouco se fala sobre a importância da escolha na busca da felicidade, muito pouco se orienta sobre o processo da escolha e, menos ainda, se exercita escolha consciente.

Fazer uma boa escolha implica em passar pelo processo de autoconhecimento: implica em revisitar valores, entender seu propósito, implica também entender seus talentos. Porque escolha é uma ação pessoal: não dá para pegar emprestado do outro.

Já abandonamos o mito da Mulher Maravilha, mas ainda pouco nos conhecemos e pouco exercitamos escolhas conscientes que surgem do autoconhecimento e que nos trilha para felicidade.

Convido as mulheres a se autoconhecerem mais.

Convido as mulheres a exercitarem escolhas conscientes.

Convido as mulheres a trilharem a busca por sua felicidade pessoal.

Convido as mulheres a praticarem suas escolhas diariamente, a não deixar que isso vire um exercício estático...

Convido as mulheres a contribuírem para nossa evolução, pois acredito que quanto mais estivermos direcionadas a nossa felicidade, mais felicidade transmitiremos aos outros e principalmente aos nossos filhos.

Sonho com mulheres empoderadas, que fazem escolhas conscientes a partir de seu autoconhecimento (que podem errar e depois acertar em suas escolhas, mas que estão orientadas pelo coração, pela busca da felicidade pessoal).

Sonho ainda com mães que fazem escolhas conscientes, mães que buscam sua felicidade e que contagiam seus filhos com esta felicidade.

Sonho com mães, pais e escolas trabalhando juntas para que nossas crianças exercitem o autoconhecimento desde pequenas, para que nossas crianças exercitem fazer escolhas a partir do indivíduo único que são e em busca da felicidade pessoal.

Sonho com mães, pais e escolas que valorizem o talento pessoal de cada criança e exercitem a descoberta do propósito das crianças e que as ajudem a fazer escolhas em busca da sua felicidade individual!

Sonho com esta mudança, vivo para ajudar a acelerar esta transformação, pois acredito que temos potencial de ser uma civilização muito mais feliz do que somos e o caminho é o autoconhecimento.

Um brinde às escolhas que partem do autoconhecimento!

Um brinde à busca pela felicidade!

Um brinde a todas nós que já iniciamos esta jornada!

 

Por: Adriana de Queiroz

Membro da Rede Ubuntu e

Consultora e Cultural Hacker da Rede Dervish