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Mari Turato

É psicologa de formação e cidadã do mundo de coração. Sua paixão pela area social e por pessoas foi a responsável por sua experiência com o mundo corporativo, tendo trabalhado em empresas como Unibanco e Johnson & Johnson. Cursou mestrado em educação pela Universidade Complutense de Madrid, e no mesmo período trabalhou na fundação internacional Junior Achievement, colhendo daqui a semente de mais duas de suas grandes paixões: o empreendedorismo e a inovação. No ano de 2009 decidiu embarcar em uma nova aventura: experimentar Auroville, cidade universal no Sul da India, onde vive com outras 2400 pessoas de mais de 40 países. Em constante mudança, atualmente mora na Inglaterra e estuda Economia para a Transição no Schumacher College.

Últimos textos deste autor

Ser Integral, Integro, Inteiro.

Olhar para o ser humano nos seus 4 aspectos: físico, mental, emocional e espiritual. Ver não apenas estes aspectos mas também entender a diversidade presente em cada um de nós, reconhecendo as várias linhas de desenvolvimento presentes nos seres humanos – como por exemplo afetiva, intelectual, artística. Aceitar que existem diferentes níveis de consciência no planeta e que, dependendo do ambiente em que vivemos podemos estar mais ou menos abertos ao processo de transformação. Respeitar as mais diversas filosofias e entender que todas as abordagens filosóficas estão corretas, parcialmente. Parece complexo certo? E é. Mas não é complicado. Alias, é muito simples.

A Abordagem Integral, muito bem explicada pelo post do Edu publicado na segunda passada, é, na minha opinião e vivência, uma maneira de estar no mundo, de vivenciar nossas relações – começando com  a que temos com nós mesmos e expandindo para a interação com os outros. A prática de vida Integral leva em consideração que o processo de transformação acontece em forma de espiral – transcendendo e incluindo as lições e aprendizados já vividos e adicionando complexidade aos que ainda estão por vir.

Mas como ocorre essa transformação? Ai vai depender da capacidade de cada um de nós de encontrar o equilíbrio nos diversos aspectos de nossa vida. Desde coisas básicas como alimentação, esporte, contato com a Natureza até questionamentos mais profundos a respeito de nossas crenças, sombras e relacionamentos. Todos os aspectos são importantes e devem ser igualmente trabalhados no caminho que trilhamos para uma vida mais Integral.

Para terminar, fui buscar no dicionário o significado da palavra Integral,  e duas palavras me chamaram a atenção: Integro e Inteiro. Então, ser Integral não se trata apenas de uma teoria, se trata de um processo para que possamos ser cada vez mais Íntegros e assim, mais Inteiros. 

E se você ficou curioso em saber como tudo isso acontece na prática, no próximo dia 13 de outubro acontecerá o encontro anual da Comunidade Integral Brasil. Para saber mais: http://www.institutointegralbrasil.com.br/portal/noticias/13-09-2013/encontro-da-comunidade-integraliib-2013

Mari Turato

Em construção... sempre.

Economia pessoal: economia e pessoas?

A vida é engraçada. Sempre disse que odiava números e que era 100% "pessoas". Sem me dar conta as coisas foram acontecendo assim na minha vida: comecei minha carreira no mundo corporativo trabalhando para o Instituto de um banco. Depois quando fui morar na Espanha trabalhei na Fundação Junior Achievement que basicamente ensina conceitos de economia (tradicional) para estudantes e a maioria dos parceiros são instituições financeiras. Hoje estou fazendo um mestrado em economia (para a transição, mas ainda assim economia).

E hoje uma grande ficha caiu: não existe essa separação entre números e pessoas. Tudo, como sempre, está interligado. O fato de um ser (ou parecer) mais exato que o outro não quer dizer que eles não estejam interligados. É como aquela imagem do filme Matrix com os números, códigos aparecendo na realidade que percebemos. E pra mim hoje foi assim, quase como decodificar uma matrix.

Mas como sou semi-analfabeta nesse tema da economia, tem sido muito importante o processo de buscar informação, avaliar, estudar. Fato é que, quanto mais estudo, mais complexo tudo me parece. Porém a própria definição da teoria da complexidade se define como sistemas com elementos múltiplos se adaptando ou reagindo aos padrões que esses mesmos elementos criaram, ou seja, afetamos e somos afetados por esse sistema. E é exatamente assim com o sistema financeiro.

Por isso gostaria hoje de propor dois vídeos que foram elementos importantes nesse meu processo de alfabetização:  um documentário e um TED talk. O documentário se chama Inside Job - A verdade da crise. O TED é esse abaixo com o Tim Jackson: Dose de realidade para a Economia.

http://www.ted.com/talks/tim_jackson_s_economic_reality_check.html

E para terminar, uma frase do Tim Jackson (do qual recomendo muito o livro Prosperity Without Growth) a respeito da nossa situação atual com relação a economia: " estamos presos em um tipo de armadilha. É um dilema, um dilema de crescimento. Não podemos viver com ele, não podemos viver sem ele. Ou arruinamos o sistema ou destruímos o planeta. É uma escolha difícil, ou melhor, não é uma escolha." Para saber a proposta dele vocês, tem que assistir a palestra :-)

Até o próximo texto!

 

Mari Turato

Em construção... sempre.

Novos começos

Esse é o primeiro de muitos textos que virão de um novo lugar. E a palavra para descrever a sensação desse momento é gratidão. As vezes ainda paro e me pergunto o que eu fiz para sair de um lugar tão especial como Auroville e vir parar no Schumacher College (www.schumachercollege.org.uk), esse lugar maravilhoso no sul da Inglaterra que se dedica a formar pessoas para atuarem como agentes de transformação no mundo que vivemos hoje, com as ferramentas que temos hoje, com o coração aberto, exercendo um ativismo sagrado, de ação e conectado com o Planeta.

Estou fazendo o master Economics for Transition. Por um ano iremos estudar as tecnologias mais inovadoras que pessoas do mundo todo tem pensado e aplicado para enfrentar esse momento tão desafiador do mundo. Minha idéia é que a cada texto eu possa dividir um pouquinho do que venho descobrindo com vocês. E o mais inspirador é que vamos descobrir juntos porque como psicologa também não tenho nenhum conhecimento prévio de economia.

Para esse primeiro texto gostaria de dividir com vocês o conceito básico de Economia Budista, desenvolvida por E.F. Schumacher, economista que escreveu o livro Small is Beautiful e no qual o College está inspirado e leva o nome (não, o nome não veio do famoso corredor de Formula 1 e também não foi homenagem a nenhum sapateiro).

Em 1955 Schumacher foi mandado para Birmânia (atual Myanmar) para implementar conceitos de economia e ajudar no "desenvolvimento" do país, trazendo conceitos de industrialização, produção em massa, capital etc. Porém quando ele chegou lá ele viu que na verdade as pessoas sabiam muito mais de organização, distribuição, cooperação do que em qualquer uma das tais economias modernas que ele conhecia até aquele momento. Agricultura, desenvolvimento local, artesanato, contato com a natureza, interação entre membros da comunidade, tudo isso funcionando de uma maneira saudável e equilibrada. Foi dai que veio o conceito da Economia Budista que está embasada em 4 conceitos básicos:

1) Saber reconhecer o valor intrínseco das pessoas e da terra

2) O trabalho de cada integrante do sistema tem o mesmo valor e dignidade

3) Desenvolvimento da economia local

4) Produção em escala "humana" 

Bom, como vocês podem imaginar cada um desses conceitos merece um post. Porém gostaria de sugerir que cada um de nós possa investigar em que parte estamos ou não contribuindo para o desenvolvimento desses princípios e se não estamos, como podemos fazer pequenas mudanças para implementar em nossas vidas uma economia mais humana, sustentável e que nos ajudará a conservar nosso planeta, por pelo menos mais um tempo.

Para terminar gostaria de contar um exemplo: pedi a um grupo de pessoas que fizessem o mesmo, olhassem para suas atitudes e buscassem oportunidades de melhoria. Uma amiga então decidiu que ia trocar o vidro da janela com um vidraceiro que estivesse perto da sua casa. Por sorte encontrou um na sua rua. Porém por quase uma semana ela não encontrava o vidraceiro em casa. Ela não desistiu e finalmente conseguiu encontrá-lo. Depois de combinar o serviço e tal ela perguntou se ele tinha muito trabalho e a resposta foi "sim, mas nunca aqui por perto, muito menos na rua de casa." 

E você o que pode fazer para contribuir com esse nova economia?

até a próxima!

 

Mari Turato

Em construção... sempre.

O próximo passo

Dar o próximo passo nem sempre é fácil. Fisicamente falando, embora hoje seja uma ação automática que todos nós fazemos, quando somos pequenos, o primeiro passo é sempre um desafio.Dúvida, medo, ansiedade, vontade... um mix de emoções estão presentes nesse ato que irá fazer parte do resto de nossas vidas. Embora a gente se esqueça desse primeiro desafio físico vivido por nós, ele constantemente estará presente em nossas vidas, nos próximos passos que deveremos dar em direção a cada nova aventura ou desafio que se apresente em nosso caminho.

Por estar em um desses momentos de dar o próximo passo, tenho refletido muito a respeito das emoções vivenciadas nesses últimos minutos antes de ficarmos firmes de pé e irmos para a frente, seguros. Nesse momento milhões de dúvidas se apresentam, muita felicidade pelo novo, tristeza por deixar o que está bom no presente. A vontade de explorar o desconhecido é tremenda, mas o medo também está presente e com ele aparecem todos os fracassos do passado que, por alguns segundo, te tiram a estabilidade. A tentação de ficar no lugar é grande, mesmo que uma voz vinda de um lugar que não sabemos nos motive a seguir.

No meu caso já estou com o pé no alto, quase tocando o chão. E ai encontrei uma imagem que refletiu exatamente o que espero encontrar. Desejo a todos muitos novos passos e que cada um deles traga o frio na barriga do novo e possam sempre ser em direção a felicidade e que, assim como andar, ela também vire rotina.

 

 

 

 

 

Mari Turato

Em construção... sempre.

Agora aprendi porque o mundo dá voltas

"Um dia eu senti um desejo profundo de me aventurar nesse mundo pra ver onde o mundo vai dar..." a frase é da música Na volta que o mundo dá, que conheci pela voz da minha amada Mônica Salmaso. Desde a época em que vivi na Espanha tinha nessa música meio que um mantra, sempre claro, preferindo essa primeira parte.

Agora, depois de quase 8 anos fora do Brasil (entre idas e vindas mais de dez) a parte da música que mais me toca é outra: "...o mundo pra mim ficou perto e a Terra parou de rodar. Com o tempo foi dando uma coisa em meu peito, um aperto difícil da gente explicar......(passa uma parte grande da música...)....agora aprendi porque o mundo da volta, quanto mais a gente se solta, mais fica no mesmo lugar."

Lembro que costumava dizer que meu maior valor era a liberdade. Não tinha nada mais importante para mim do que ser livre e ponto. Fazer o que eu tenho vontade, na hora que eu tenho vontade, do meu jeito. Hoje eu chamo isso de egocentrismo. Quando era mais nova via isso como liberdade. Tive a sorte de sempre ter o apoio necessário para descobrir a diferença entre egocentrismo e liberdade da maneira mais maravilhosa possível: viajando. 

Hoje, depois de todo esse tempo, tenho sentido uma coisa que antes só conseguia entender na teoria: ser livre é um estado de espírito. E esse estado de espírito é tão difícil de alcançar pois requer algo que eu sei que ainda não tenho: completa entrega de si. Entrega de si para a vida, para o divino. É o contrário do egocentrismo, é uma abertura tão grande que nosso centro se torna o mundo. 

Sei que estou longe, e muito, de atingir esse estado de espírito. E isso de um modo me dá um alívio. Não um alívio pelo fato de estar longe desse estado, mas um alívio por poder reconhecer que meu conceito passado de liberdade se transformou em algo diferente, maduro. 

"O passado não foi feito para ser mantido. Devemos ir em direção a Realização Futura.Tudo do passado que é necessário para o futuro será tomado e receberá uma nova forma." Sri Aurobindo.

E assim me preparo para a chegada de uma nova etapa em um novo porto, cheio de novos desafios e aprendizados. Mas sem perder de vista o farol e me lembrando sempre de meu querido Jorge Drexler: " um farol parado nada seria. Guia, enquanto não pare de girar. Na verdade não é a luz que importa, mas os 12 segundos de escuridão". 

Compartilho com vocês as duas músicas que me acompanharam no texto de hoje:

Jorge Drexler - 12 Segundos de Oscuridad

http://www.youtube.com/watch?v=AdUpfsSVhA4

Monica Salmaso - Na volta que o mundo dá 

http://www.youtube.com/watch?v=vmDOW-GDhBc

 

Mari Turato

Em construção... sempre.