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Leandro Castilho

Nasceu em Porto Alegre. Tem 46 anos. É torcedor-praticante do Internacional. Se formou em publicidade e propaganda pela PUC do Rio Grande do Sul. É apaixonado por comunicação e por várias outras coisas. É redator publicitário e paulistano por opção desde 1988, mas procura o tempo todo ser bem mais do que isso. Trabalhou em algumas das melhores agências do país, para algumas das melhores marcas do país e, agradece todos os dias por isso, com alguns dos melhores chefes e colegas do país.

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O saudoso eu

 

"Saudade não é quando a gente sente falta de alguém, mas quando sente a sua presença". Foi o que falou Marisa Monte no sábado passado, depois de cantar em homenagem à Cássia Eller.

Bateu em cheio.

E me fez pensar sobre os últimos tempos.

Uma vez, não faz muito, me olhei no espelho e vi que aquele sujeito que estava ali não era um típico exemplar de mim mesmo. Por outro lado, sentia ele por perto. E deu saudade. 

Decidi parar. Dar um tempo. O que se costuma carimbar de sabático. Parei e fui em busca de mim. Foi divertido. Foi surpreendente. Foi cheio de histórias. E valeu.

As palavras da moda viram um vazio e se tornam mais do mesmo. Uma delas é Reinvenção. Fulano se reinventou. Tal empresa se reinventou. É nobre, a reinvenção. Nobre e em muitos casos vital. Porém, ando mais chegado na Redescoberta. Na recuperação do fio da meada. No se reconhecer no espelho, nos amigos, nas origens, nos pais, nas memórias, nos filhos, no que emociona ou em um grande amor. Se reencontrar nos livros que leu, nas músicas que fazem gritar, nas histórias doloridas, suaves ou risíveis.

Aquele caminho de Santiago que gente adorável faz tem uma filial aqui dentro. Clichê ? Ô. Mas é real.

Não dá para andar meio metro na vida sem se reconhecer. Ponto. 

O contrário disso é seguir caminhos pavimentados pelos sonhos dos outros. É ir pelo padrão. É seguir o GPS alheio. É não ser. Fugir disso passa por autenticidade nos amores, hobbies, prazeres, emoções, silêncios e saudades de si próprio, que sempre é um bom termômetro. 

Passa por ser um amigo fiel dessa pessoa chamada você. 

Escolha os escritos de algum mestre. Buda, Jesus, um filósofo grego, um escritor fundamental, um compositor dos bons. Todos dizem Seja Você. É difícil ? Um enrosco. Um caminho cascudo de se seguir e quem sou eu para saber onde chegar.

O que posso arriscar dizer é que um bom atalho pode ser se perguntar. Onde você se perdeu ? Onde você estava na hora em que pegou esse barco que te trouxe até esse lugar confuso chamado Hoje. O que funciona como oxigênio para você ? Seja lá o que você está vivendo agora está bom assim ?

Essa saudade que tanto serviu a poetas pode ser usada a favor da gente. Eu continuo aqui, buscando um espelho que mostre quem é esse sujeito que nesse momento tecla por mim. Esse cara com a barba por fazer, cabelo máquina 3 e olhos de quem dormiu tarde e acordou cedo. Essa pessoa que mora aqui. E de quem de vez em quando tenho saudades. Está na hora de ir ali chamar ela para uma cerveja.