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Qual a cor do seu medo?

Há alguns meses tive uma discussão com um amigo sobre sentir medo. Falamos horas sobre a origem e consequências de tal sentimento. E quase no final da conversa, ele me fez a seguinte pergunta: “E você, qual o seu maior medo?”.

Eu não tinha dúvidas que existia uma resposta para tal pergunta, mas naquele momento e nos últimos seis meses, quanto mais me indagava sobre o que me fazia ter medo, menos eu encontrava algo para temer…

Para mim o medo sempre foi um “vilão”, por mais que as aulas de ciências ensinassem que o medo ajudou o homem a evitar o perigo e a progredir, a meu ver o medo só servia para paralisar.

Sempre vi beleza em qualquer tipo de sentimento, seja na angústia, na tristeza, mesmo na raiva e na decepção, mas o medo parecia ser um inibidor de outros sentimentos.  A media em que o medo nos bloqueia, ele impede que tenhamos novas descobertas, nos faz ficar na mesmice e, em última instância, limita o viver e por tabela os demais sentimentos decorrentes desse viver.

Não tenho medo de altura, adoro o desconhecido, as mudanças, não temo a nenhum bicho, à violência e muito menos à morte. Sempre o que fazia a maior parte das pessoas sentirem medo, era o que me fascinava, o que me dava um empurrão impulsivo de energia para sair vivendo…. As vezes até de forma bem inconsequente….

Mas sempre existe algo a temer e fiquei obcecada em descobrir qual era a cor, o cheiro, o formato, a carinha do meu medo…. Me joguei em coisas novas e desafiantes, nenhuma fez o tal medo aparecer… Relembrei dos momentos mais difíceis que tive, também não me fizeram sentir medo, talvez raiva, angústia, mas sempre uma força para reverter…

A verdade é que para mim, sempre foi muito difícil parar, muito difícil não fazer algo, não viver uma situação….  E foi nessa dificuldade de não viver situações que nos últimos dias percebi qual era a cor do meu medo…. Era terminar essa vida sem viver uma situação em específico…

Era tão óbvio e sempre esteve presente.. tão simples, tão na cara e eu mal percebia que era um medo…  Esse medo nunca me fez deixar de agir, mas indiretamente ele me impediu de dar continuidade a certas coisas. Esse medo de não viver me fazia ficar tão desesperada e afoita que eu me atropelava e acabava impossibilitando que as coisas seguissem, sem querer, eu fazia com que elas se esgotassem,

O que senti no momento que descobri meu medo? Uma curiosidade absurda sobre para que me serviria tal descoberta e o que eu deveria fazer com tal constatação…

Relembrei toda discussão com meu amigo… fui procurar a origem do meu medo e ao invés de fugir, resolvi abraçar o meu medo…. Quando acolhi meu medo, percebi que se hoje eu não vivo a situação que tenho medo de nunca viver, no pior dos casos, ficar a vida inteira sem vive-la me faria estar como hoje.. e estar como hoje também tem seu lado bom…. E isso me trouxe um sentimento de paz muito grande…

Claro que eu adoraria viver tal situação, isso não mudou… Mas o desespero recorrente ao medo de passar uma vida sem vivê-la, parece que se amenizou.

Percebi que ao invés de tratar o medo como um “vilão”, se eu trouxesse ele para perto, acolhesse e visse no detalhe qual a cor desse medo, eu poderia revertê-lo!

Ótima semana! Que todos abracem seus medos =)

Beijo grande

Gabi