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Abraçando a árvore!

sábado, julho 3rd, 2010

Estou desde a última quinta feira no Seminário de Pedagogia Social, e confesso que tem sido uma experiência incrível… Gostaria de compartilhar algumas reflexões que me vieram até aqui:

-       venho do mundo corporativo, fiz Colégio Visconde de Porto Seguro (alemão, bem disciplinador) e Administração de Empresas na FGV. Razão, causa e conseqüência, tudo tem que ter uma explicação, método, disciplina. Este é o mundo em que fui formado…Eis que há 4 anos mais ou menos surge a inquietação dentro de mim: para que raio vim para este mundo? O que quero fazer da minha vida? Para tentar responder esta questão fui em busca do que estava disponível neste sentido, e acredito que minha ABERTURA e minha SUSPENSÃO DE JULGAMENTOS foram fundamentais para entrar em contato com lados meus jamais “tocados”. Experimentar antes de julgar! Quando que poderia imaginar que através de uma simples escultura em argila poderia expressar tanta coisa? Fascinante… Vale a pena!

-       cada vez mais estou convencido do poder da LINGUAGEM… Acho que não é por acaso que trabalhei em marketing durante tantos anos pois definitivamente ter a habilidade de usar diferentes linguagens para diferentes públicos tem sido fundamental nesta minha caminhada. Lembro-me perfeitamente de ter visitado um prospect que uma das primeiras frases que ouvi foi: “Legal Edu, mas por aqui não me vem com esta história de abraçar árvore, hein?” E por ironias da vida estou eu aqui cantando, pintando, e trabalhando com argila… Quem diria? Tudo MUITO importante DESDE DE QUE uso o que estou aprendendo e experimentando com o público certo e na hora certa! Uma espécie de “plano de mídia” da facilitação!

-       por último, como não poderia deixar de ser, tenho que mencionar um dos meus princípios preferidos: “ORNAR”!!!!! Estar aqui apenas reforça o ponto de como é importante “ornar” o falar e o fazer… Não adianta nada eu provocar em minhas facilitações/coaching o auto-conhecimento se não faço isso comigo. E confesso, estes dias tem sido um mergulho fantástico… E como já disse, explorando habilidades minhas que havia muitos anos que não praticava!

Um excelente final de semana!

Eduardo Seidenthal

Design como estratégia!

quarta-feira, maio 12th, 2010

Esta semana estou tendo o privilégio de estar facilitando workshops em Belém do Pará, para a Unidade de Benevides da Natura…. Se vocês se recordam eu já escrevi sobre esta unidade no blog da Rede Ubuntu (post “Vida Real”) e vou confessar uma coisa para vocês: cada vez que venho aqui me surpreendo mais….

Surpreendente pela construção de um novo modelo… Um modelo adequado para esta realidade do planeta em que vivemos, um modelo cheio de incertezas mas com um grande propósito de transformação. Um modelo ainda imperfeito por ser novo, mas ousado pois está sendo implementado… Mais uma vez: sustentabilidade na vida real, na prática!

Neste contexto ressalto a importância do design…. Trabalhei por muitos anos em marketing de grandes organizações e design realmente foi crescendo como função ao longo deste anos. Procter & Gamble, J&J, Unilever, entre outros, investindo pesado em escritórios próprios de design, absolutamente avançados e modernos, para refazer todas as embalagens… Como transformar um simples creme dental em algumas coisa absolutamente “appealing“?

Mas não é deste design que estou falando…. Estou falando do design em seu sentido mais amplo. Design como modelo mental, como desenho de novos modelos de negócios, de relações, de interdependência…Cito aqui um grande designer que está totalmente dedicado a estas questões macro: Bruce Mau.

Um grande exemplo de como o design deve se envolver em assuntos cada vez mais complexos e amplos tem a ver com o email que recebi da querida Lilian Gouvea, uma terapeuta extraordinária e que tenho a grande felicidade de tê-la em minha vida:

“Lixo, Invenção Humana”

O lixo é um problema de todos!

Ninguém joga o lixo fora, pois não existe o fora, o meio ambiente é um sistema fechado, mudamos o lixo de lugar!

Como o design deve solucionar esta questão? Como podemos desenhar um novo modelo produtivo, econômico e social que leve em consideração a questão do lixo? E vou além, como a natureza resolveria esta questão de tratar dos seus resíduos?

Vale a reflexão!

Eduardo Seidenthal

Paixões…

sexta-feira, abril 23rd, 2010

Mais uma vez inspirado por um post (“Uma Aula de Branding”) que o Fabio Madia escreveu em seu blog, hoje gostaria de escrever sobre Paixões, um assunto CENTRAL nas crenças e valores da REDE UBUNTU.

O case da Stella Artois, além de uma verdadeira aula de branding como o meu querido cunhado explanou com maestria em seu blog, também me fez parar para refletir sobre o poder de fazer aquilo que a gente ama! Vale muito a pena assistir o filme (link: Up There Film) abaixo sobre o the ritual project por vários motivos: (1) pela estética do filme (super bem produzido); (2) pela idéia criativa; mas SOBRETUDO (3) pelo amor daqueles artistas em pintar verdadeiras obras de arte nas paredes de prédios da cidade de Nova York.

Com toda a tecnologia, com toda esta pressão por crescer rápido na carreira, por ganhar dinheiro, ainda existem pessoas que:

- passam 10 anos, isso mesmo, 10 anos aprendendo a pintar com o seu mestre… Como falado no filme, o mestre apenas permite o aprendiz a começar a pintar algumas partezinhas da obra de arte depois de 2 anos.

- existe um substituto imediato. Impresso, você consegue fazer a comunicação de seu produto rapidamente e em um preço muito mais baixo… Mesmo assim, apenas de ouvir a entrevista destes artistas, e ao ver suas obras de arte, e a paixão deles pelo que fazem, você esquece todas estas “vantagens contemporâneas”.

Óbvio que não estou sendo romântico em dizer que você só tem que fazer o que ama e esquecer o resto, definitivamente não é isso. Mas SIM você tem que ir atrás daquilo que te dá prazer, que te dá TESÃO, mesmo com todos os obstáculos que esta jornada possa trazer (e claro em paralelo fazer o “feijão com arroz” para te dar sustento enquanto o seu plano B não virou A!)….

Para terminar: uma boa cerveja e boa reflexão!

Um excelente final de semana a todos.

Eduardo Seidenthal

Up There Film

Não julgue, mas exija AÇÃO!

segunda-feira, abril 12th, 2010

Neste mundo absolutamente conectado, “ligado” e interdependente em que vivemos, a palavra de ordem é (na minha visão) ORNAR!!!!! Orrrrrrnar (como diriam os mineirinhos!) valores, crenças, sentimentos, com atitudes, ações e comportamentos…. Falar e fazer. “Walk the talk!” E isto é valido nas duas dimensões: individual e coletivo (grupos, organizações, países, etc).

Na semana passada tomei conhecimento do caso abaixo nas conversas do Marketing Trends, promovida pela Madia Mundo Marketing. Sério. “Causo”muito sério.

E como a medida que vou escrevendo vou também aprendendo, vou usar aqui os ensinamentos da Chimamanda Adichei (Post da semana passada “Honrar nossa história“) que discursou sobre a importância de sempre termos as diferentes histórias de um mesmo caso.

O vídeo abaixo, produzido pelo Greenpeace, é um protesto BEM IMPACTANTE, ao melhor estilo Greenpeace de ser, contra a Nestlé que declaradamente usou óleo de palmeiras extraído das florestas da Indonésia para a fabricação e comercialização do chocolate Kit Kat, segundo a empresa, apenas na Indonésia. A devastação das florestas está causando o desaparecimento dos ORANGOTANGOS, uma prova da gigante interdependência (ubuntu!) em que vivemos onde um chocolate é capaz de impactar orangotangos!

Faço questão de logo após o filme do Greenpeace colocar a posição da Nestlé sobre este caso. Acesse este link e leia o Q&A e o comunicado produzido pela própria Nestlé.  Como mesmo dizia Chimamanda, always listen to both sides of the story! (http://www.nestle.com/MediaCenter/SpeechesAndStatements/AllSpeechesAndStatements/statement_Palm_oil.htm)

Como mencionei no titulo deste post, não julguemos….. Até porque estamos falando aqui de uma das maiores e mais respeitadas empresas do mundo, e também porque TODOS nós, indivíduos e organizações, somos suscetíveis ao erro. Assim, NÃO julgo, mas exijo AÇÃO.

Espero de verdade que a Nestlé faça muito mais do que está descrito nestes documentos em seu site corporativo.

1)   Sob a ótica da sustentabilidade, na situação em que se encontra o planeta, parar de destruir é pouco….Parar de comprar de fornecedor X, Y ou Z, ou mesmo assinar um compromisso de ter 100% de óleo de palmeiras certificado até 2015 é pouco…. O planeta precisa de ações mais rápidas, mais enérgicas em direção a construção, a restauração…..Que tal, por exemplo, ajudar a reconstruir as florestas da Indonésia? Preservar e de alguma forma crescer a população de Orangotangos no mundo? E não me venha falar que faltam recursos para tais ações….

2)   Sob a ótica da relação com os stakeholders, definitivamente as empresas precisam dar um salto de patamar em como se comunicar neste novo mundo colaborativo e conectado (plano!) em que vivemos…. A técnica de fazer um Q&A e distribuir um comunicado à imprensa é mais antiga que minha avó! Que tal o CEO da Nestlé produzir um vídeo mostrando sua cara, explicando sua posição e falando sobre quais ações serão tomadas? Um PROTESTO de IMPACTO deve ser tratado com uma RESPOSTA de IMPACTO.

Mais uma vez, isso não é julgamento. São apenas sugestões para que uma empresa como a Nestlé possa continuar com toda a nossa admiração.

Uma boa semana.

Eduardo Seidenthal

Uma aula de propósito!

sexta-feira, março 5th, 2010

Faz alguns anos que vejo Jamie Oliver na televisão cozinhando… Aliás, um dos melhores programas de culinária na minha opinião. Agora vejam só a palestra de Oliver no TED dando uma verdadeira aula de PROPÓSITO de vida, isto é, como você pode usar o seu talento, seu dom, suas paixões em prol de uma causa maior.

É realmente alarmante o sistema alimentar em que estamos inseridos! E o mais incrível é que esta epidemia pode ser evitada… Não é uma doença sem cura. Basta um aumento de consciência dos diferentes stakeholders deste mercado para realmente implementarmos uma revolução na saúde de nossa sociedade. Passa por cada um olhar para dentro e refletir sobre seu propósito, sobre seu papel em construir um planeta mais sustentável utlizando suas competências, seus talentos. Kraft, boa sorte! Nestlé, boa sorte! Governo, boa sorte! Escolas, boa sorte! E, finalmente, boa sorte para nós…para mim!

O final de semana vai chegando e a vontade de enfiar o pé na jaca também (food & drinks!)… Após esta reflexão confesso que o meu jantar hoje será um pouco diferente! Obrigado Oliver.

Um excelente final de semana a todos!

Eduardo Seidenthal

Paixões…

segunda-feira, fevereiro 22nd, 2010

Pão de queijo é uma das minhas paixões… Confesso que tenho até um “descontrole emocional” com este alimento já que sou capaz de colocar um saco de Forno de Minas no forno e comer sozinho!!! Aí tenho que assar um outro saco para o resto da família para não ficar chato…

Agora vou te dizer que estou ainda mais apaixonado. Mas agora não só pelo produto, mas também pela história FANTÁSTICA  de Helder Mendonça e sua família, fundadores da empresa Forno de Minas. Eles recentemente REcompraram, isto mesmo, REcompraram a Forno de Minas do grupo americano General Mills após terem vendido há 10 anos mela “módica” quantia de R$ 80 milhões.

Louco? Sonhador? Lunático? Como explicar um milionário, que realizou o sonho de muita gente de vender sua empresa para um grupo internacional, recomprá-la? Detalhe: desde a sua venda está em notório declínio, com fábrica fechada, com portfolio desposicionado, ladeira abaixo….

Minha resposta: PROPÓSITO. Aquela força interior, uma força motriz que faz você superar todos os obstáculos, opiniões, críticas, “o sistema”, e seguir em frente rumo à sua missão maior, que no caso do Helder é colocar a Forno de Minas de volta a sua essência, isto é, servir aqueles “quitutes” mineiros deliciosos feitos pela vovó para nós marmanjos, crianças, mulheres, tios, vovôs, que infelizmente no mundo empresarial nos chamam de consumidores (frio, impessoal, etc.).

Helder está empenhando em colocar a empresa de volta ao topo, e tirá-la da armadilha que muitos empreendedores, muitas empresas, muitas pessoas caem por sucumbir ao sistema vigente da excessiva valorização material. Infelizmente a Forno de Minas nos últimos 10 anos passou a ter como objetivo maior o lucro pelo lucro, a “grana” como objetivo maior, uma corrida desenfreada para agradar os acionistas de Wall Street, e como consequêcia definhou…

Obrigado de coração Helder… Obrigado por (1) ser um exemplo para todos nós, e provar mais uma vez que o que nos move vai muito além do $ e sim tem a ver com algo que está dentro de nós; e (2) por trazer de volta rapidamente (eu espero!) o nosso velho conhecido FORNO DE MINAS.

Eduardo Seidenthal

Freemium!

quinta-feira, outubro 8th, 2009

Aqui vai a recomendação do livro “Grátis” do autor Chris Anderson sobre novos modelos de negócios que estão surgindo na internet… Aliás, inovação em modelos de negócios é definitivamente um assunto que me apaixono!

Vale a pena o livro pela simples quebra de paradigma que ele provoca. Como assim dar algo de graça? Ou mesmo, como cobrar muito pouco por um conteúdo tão nobre? Bem vindo a este novo mundo!

Confesso que como bom “marketeiro” o livro me fez parar para pensar… Aliás, no desenvolvimento do projeto de aprendizagem da REDE UBUNTU utilizamos muitos dos conhecimentos de Chris Anderson. A grande verdade é que os custos operacionais no mundo virtual são muito baixos, e obviamente os consumidores precisam ser beneficiados com isso… Até porque, no mundo em que vivemos hoje, se você resolve cobrar por algo que os indivíduos conseguem de outra maneira eles simplesmente não compram e assim sua empresa vai por água abaixo!

Como um preview coloco a entrevista de Chris Anderson para a Advertising Age.

Eduardo Seidenthal

Quer pagar quanto?

terça-feira, junho 23rd, 2009

Estadão - Valor from YoungTV on Vimeo.

Na última sexta feira foi lançada a nova campanha do Estadão. Além do filme institucional da campanha ser maravilhoso  (http://vimeo.com/5238617), o Estadão parte para uma outra iniciativa ousada, como mostra o filme acima: o poder de decisão de quanto pagar está agora com os seus clientes.

Recentemente também escutei que existe uma escola em São Paulo que os pais podem decidir o quanto pagar … Se estão passando por problemas financeiros, podem pagar menos, e se estão vivendo um momento de “propsperidade” podem pagar mais do que o valor referência.

Acredito que esta seja uma forma absolutamente saudável e inovadora de modelo de  negócio. Sem dúvida me faz refletir sobre o modelo de negócio da Ubuntu. E você, qual sua opinião?

Eduardo Seidenthal

“Estamos subvertendo o mundo do marketing”

quarta-feira, junho 17th, 2009

Esta é uma afirmação de Dara O´Rouke, professor de políticas ambientais e trabalhistas da Universidade de Berkeley, que li no caderno de Economia & Negócios do Estado de São Paulo de hoje.

Dara é líder de uma iniciativa chamada GoodGuide, um site (www.goodguide.com) que de forma transparente mostra as substâncias que vem nos diferentes produtos (alimentos, brinquedos, cosméticos, etc.) e seus impactos sociais, à saúde do consumidor e ao meio ambiente.

O site recebeu 110.000 visitas no mês de abril e está crescendo 25% ao mês.

Três comentários que gostaria de fazer:

1) COERÊNCIA: cada vez mais as marcas, companhias, profissionais precisam ser coerentes entre o discurso e a prática do dia a dia. Já é público e notório que os consumidores estão cada vez mais “poderosos”, então as organizações que possuem um propósito nobre (veja o último post deste blog “Make Meaning”) e verdadeiramente praticam este propósito em seus produtos, em suas ações com os diferentes stakeholders, tendem cada vez mais a ter sucesso. Aliás, vou além…vai chegar um momento quando isso será ítem básico de competição no mercado.

2) “SURGIU NATURALMENTE”: uma iniciativa absolutamente relevante, que surgiu da simples curiosidade de Dara entender o que tinha no filtro solar que ia aplicar em sua filha. Descobriu substâncias alarmantes não só no filtro solar como em outros produtos que consumia regularmente.  A partir desta motivação, Dara reuniu um time de acadêmicos, cientistas, pesquisadores de tendência de consumo e profissionais da indústria para criar a GoodGuide. Óbvio que não foi fácil, fez inúmeras apresentações a investidores até conseguir tirar a GoodGuide do papel. Mas o que quero ressaltar, é a verdadeira motivação que levou a criação do GoodGuide.

3) “GoodGuide Brasil”?: excelente oportunidade de termos algo semelhante aqui no Brasil. Em uma semana em que as associações de supermercados pararam de comprar carne de  determinados frigoríficos que compram carne de fazendas ilegais, a criação de um site desse porte poderia ser de altíssimo valor para nossa sociedade. Interessado?

Um bom dia a todos!

Eduardo Seidenthal