Semana passada não escrevi devido a uma visita muito especial com dedicação total do meu tempo. Mas hoje, mesmo estando em Madrid, não consegui ficar “longe” do blog por duas semanas e resolvi escrever. Desculpem por não ser sexta, mas sendo um dia depois do que aterrizei por aqui, me custou um pouquinho entrar no ritmo.
No sábado, mesmo com todo o cansaço, fui participar do TEDx Madrid. Foi um evento maravilhoso com o tema: Como vai ser o mundo daqui a 10 anos? Tivemos desde uma pessoa falando de pão até de como vai ser a questão da energia. Éramos mais de 100 pessoas e o evento foi organizado no The Hub, projeto que eu sou super fã. Apesar da variedade de pessoas, devo admitir que todos eram mais ou menos parecidos: jovens, um estilo de se vestir “menos formal”, querendo fazer a diferença. Todas as conversas tinham palavras como sustentabilidade, inovação, empreendedorismo, novos negócios. (ps. gostaria de reforçar que eu me incluo neste cenário, usando essas palavras, me vestindo “casual”, fazendo “diferente”).
Apesar de amar e me sentir super conectada com o evento e com as pessoas, sai de lá com algumas perguntas… Qual a profundidade e a dimensão que as pessoas tem dos conceitos que mencionei acima?? Será que “fazer diferente” está virando puramente moda??
Acho que está cada dia mais claro para muita gente que o mundo como está não funciona, que a integração com a natureza é fundamental para nossa existência, que temos que buscar novas resposta para antigos problemas. Porém, me intriga o fato de que precisamos criar uma nova “tribo”, que se comporta igual, se veste igual, fala igual. Claro que aqui estou generalizando, mas para mim tem um fator fundamental na mudança do mundo, que por esse padrão pode ser que não estejamos levando em conta: diversidade.
Chegar da India em Londres foi como aterrizar em outro planeta, literalmente. Tudo, desde cheiros até pessoas, era diferente. E isso é mágico. Lembro de ler um livro da Marilena Chaui em que, no auge do movimento das ONGs, ela dizia que o grande perigo desse modelo era que eles se converteriam nos novos colonizadores. Alguns anos se passaram e hoje conseguimos reconhecer muita coerência nessa frase. Querer estabelecer um mundo igual, com as mesmas respostas, para mim deixa de lado um dos conceitos que temos falado muito ultimamente que é a Inovação.
Criar algo novo não necessariamente implica em criar uma receita padrão. Muito pelo contrário, acredito que para inovar o que faz a diferença é aquele ingrediente secreto que os cozinheiros tem para fazer sua comida única. E aqui não estou falando de exclusividade, porque um pão por exemplo pode ser feito em qualquer lugar, porém sempre dá espaço a imaginação daquele que o está fabricando para criar algo completamente diferente do original.
Ser diferente não é ser desigual. Tenho pensado muito em algo que estou chamando na minha cabecinha de inovação pessoal. Ainda não tenho muito claro o conceito, mas para mim está conectado com inovar como um estado de espírito e não como uma forma de atuar. Ser, independente do que você faça, inovador, reconhecendo seus talentos , acreditando no que você faz e o mais importante, se permitir sonhar.
Até semana que vem! (ou melhor, essa semana…)